09 novembro 2020

As sete chaves do baú - Capitulo 2

 Rita levantou cedo, com o cantar dos pássaros numa manhã ensolarada. Caminhou até a sala de jantar para tomar seu café da manhã, sem demorar muito e aproveitou um ultimo minuto para se despedir de seu pai antes de partir.

- Pai, eu já vou indo.

- Mas sozinha? Mandarei que um soldado a guie pelo...

- Não, eu preciso ir sem acompanhante. Minha amiga quer ver minha pessoa e mais ninguém.

- Isso me deixa preocupado. Você está me escondendo algo filha?

- Quando eu chegar da viagem o senhor saberá. Não posso demorar mais um minuto.

O rei observava a jovem se afastar, estranhando suas atitudes e esperando que não esteja aprontando alguma coisa ruim. Já estava cheio de preocupações com o reino e uma a mais lhe traria muita dor de cabeça. Rita se cobriu com um manto escuro e um capuz para ocultar sua identidade debaixo disto e poder sair pelas vilas com maior segurança.

A caminhada seria longa, a vila do norte não ficava muito próxima e corria o risco de ser roubada ou perseguida no caminho. Com base nos mapas que havia observado seguia as estradas sem temer sua direção. Seus olhos estavam focados no horizonte e pouco notava quem a rodeava, só conseguiu mudar de visão quando se assustou com uma criança lhe puxando o vestido. Aqueles olhares vazios e tristonhos revelavam fome e solidão. 

- O que você quer?

- Hunf... me de comida.

Rita franziu a testa preocupada e percebeu que aquele ser não era o único que passava por aquilo, haviam pessoas ali que andavam com seus pés descalços e cabeças baixas, entre casas em ruinas e sujas de pó. 

- Tenho uma maçã.. você quer?

- Uhun

Ela a entregou em suas mãozinhas pequenas e a viu correr para longe. Aquela dor a fez refletir, que deveria agir o mais rápido possível, encontrar logo o tesouro e enriquecer novamente o reino para levar melhor condições de vida para estas pessoas. Foi um impulso para começar a caminhar mais rápido sem parar um minuto na estrada, mesmo que suas pernas se cansem.

A vila do norte habitava a maior parte da população do reino, pois muitos ali viviam da agricultura e era a base principal de renda que possuíam. Comerciantes de varias regiões se encontravam ali para trocar suas mercadorias e levar para o exterior. Rita sentia o cansaço nos pés mas ainda não parava de andar enquanto não encontrasse o jovem Aider. Tinha em mente sua aparência, moreno e bastante alto, mas era quase impossível encontra-lo quando se vive em um lugar onde a maioria das pessoas possuem da mesma fisionomia.

A princesa se aproximou de uma taberna para encontrar alguém que conheça o rapaz e perguntar de sua existência na vila. Haviam senhores idosos bebendo vinho em um canto e uma mulher limpando o balcão sujo com um pano úmido.

- Boa tarde... A senhora poderia me dizer onde encontro Aider? Um rapaz que mora por aqui...

- Aider? Por que procura por ele?

- Você o conhece então? Eu... preciso muito falar com ele.

- Ora ora, imagino que aprontou mais uma. Eu não sei onde ele está morando agora e nem quero saber. É bom que nem apareça mesmo.




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