Se alguém as vessem podiam jurar que era amigas desde a infância. Ana e Míriam sempre se encontravam durante o intervalo, às vezes na biblioteca, na quadra ou no refeitório mesmo. Suas conversas paralelas se transformavam em sorrisos e brincadeiras.
Carol as observava de longe com um olhar petulante. Ela cochichava entre as amigas sobre a cena tão infantil das duas.
- Elas estão amigas desde o bimestre passado. - diz Daniely bebendo um suco de caxinha.
- Desde o dia que levei suspensão. - Carol desdenha franzindo a testa. - Mas essa amizade não vai durar muito!
- O que você quer dizer com isso? - Paula arqueia a sombracelha ajeitando seus cabelos castanhos.
- Que eu ainda vou fazer Ana se curvar diante de mim. - ela responde num tom sarcástico fazendo as duas ao seu lado se conterem em uma risada atônita.
- Você não cansa mesmo hein. - sorri Daniley que jogava a caixa no lixo ao lado.
Míriam viu uma mecha do cabelo de Ana soltar na testa e passa os dedos a colocando para trás de sua orelha.
- Está linda... - ela sorri olhando em seus olhos.
- Obrigado, você também. - Ana fica corada e se levanta da cadeira. - Vamos voltar para a sala. Logo o sinal tocará!
Míriam revira os olhos e faz o mesmo que Ana caminhando ao seu lado em direção à saída do refeitório.
- Ei! Que tal essa noite nós duas passarmos num cineminha? - Míriam se anima com os passos soltos.
- Cinema? Hum... Não sei se vai dar certo. Meus pais não deixariam eu sair de casa à noite com alguém que eles mal conheçam.
- Então me leve para conhecer seus pais! Vou adorar! - seus olhos brilham como o de uma criança pedindo doce.
- Uau! Você está mesmo animada! - Ana arregala os olhos sorrindo e cruza o corredor que leva às salas.
- Eu tenho a melhor amiga do mundo! - Míriam a abraça antes de entrar na sala surpreendendo Ana com seu toque firme e macio.
As duas se desgrudam do abraço em seguida se afastando e seguindo seus caminhos opostos.
- Eu digo o mesmo! - Ana finaliza antes de sumir pelo corredor.
A cabeça das duas estavam repletas de pensamentos harmoniosos e seus corações pareciam dois relógios que giravam os ponteiros incessantemente. Havia algo de estranho naquilo que elas mesmas não compreendiam.
Ana viu o silêncio de Carol por toda a aula, aquilo a assustava mais que qualquer provocação da garota. Era tão desconfiante que Ana cedeu a encara-la seriamente em seus olhos.
- Perdeu alguma coisa aqui? - Carol retrucou com um sorriso audacioso.
Ana não pronuciou nada e voltou sua atenção para a lousa cheia de cálculos matemáticos. _Ela está escondendo algo.. eu sinto..._ Sua dúvida a inquietava na cadeira dura de madeira.
Quase pensei q era Yuri essa historia rsrsrs 😅
ResponderExcluir