Míriam voltou para a casa mais triste do que estava à dois dias atrás. Sua avó sabia que algo não ia bem, e mesmo que não compreendesse o que a jovem moderna passaria em suas dificuldades ela jamais deixaria a neta permanecer neste estado.
- O que está acontecendo com você?
A velha perguntou entrando no quarto da garota enquanto se trocava de roupa, retirando o uniforme azul com manchas de suor.
- Não está acontecendo nada vó!
- Não minta para mim, eu a conheço desde criança e sei quando uma coisa não vai bem com você.
- Então porque perguntou? A senhora não entenderia mesmo...
Míriam sentou sobre a cama para mexer no celular, mas sua avó não desistiria de falar com ela e insistiu sentando ao seu lado soltando um leve suspiro.
- Você está apaixonada por alguém? Eu já passei por isso na sua idade...
- Não é a mesma coisa vó. A pessoa que eu gosto não se trata de um garoto! E eu nunca teria uma chance com ela já que me vê apenas como uma amiga!
- Ela é uma menina? Você sente algo por uma menina?
- Sim....
A neta lhe encarou nos olhos esperando um mar de preconceitos descer de sua boca. Mas não era supresa alguma para a mulher, já que sempre desconfiou dos gostos da jovem desde que começou a cuidar dela após a morte de sua mãe.
- E ela não sente o mesmo por você? - prosseguiu com outra pergunta.
- Pensei que a senhora me daria um cascudo, por eu ser lésbica.
- O que eu tenho haver com isso? Não devo julgar minha própria neta se ela mesma sabe o que é melhor para ela...
- Que bom que pensa assim.
- Mas então? O que está esperando para contar toda a verdade para sua amiga? Você só está perdendo tempo!
- Mas... e se ela me disser não?
- Você já tentou pelo menos? Como vai saber o que os outros vão falar se não disser nada à eles? Não tem como prever a reação de alguém, é necessário arriscar às vezes...
Míriam assentiu firme com a cabeça e ficou pensando nas várias formas em que usaria isso ao seu favor. Só precisava que a garota de quem gostava pudesse ter uma empatia com isto, mesmo que não se tornem mais do que amigas, Ana ainda era muito importante para ela.
Sim ela não podia perder mais tempo, Miguel estava mais próximo da amiga e logo poderia começar um relacionamento com ela se isto fosse capaz. Míriam saiu naquela noite para correr até a casa de Ana, não se importando muito se estavam escuras as ruas, ela não temia em andar sozinha e fazia isso desde pequena.
Ao se aproximar do portão aberto da casa ajustou sua calça larga que às vezes tendia a cair. Entrou na residência sem aviso prévio e caminhou pelo quintal até encontrar a janela do quarto da garota. Bateu devagar na esperança de que somente Ana pudesse escutar aquilo e ve-la.
- Que barulho foi esse? - o pai perguntou na cozinha enquanto comia uma coxa de frango.
- Veio do seu quarto Ana - a mãe olhou para a filha que havia ficado confusa.
- Vou ver o que é.
Ana se levantou da cadeira parando seu jantar para descobrir o que era aquilo que havia feito barulho em seu quarto. Ao entrar não percebeu nada de estranho, nenhum objeto fora do lugar, mas novamente alguém bateu na janela e assustou a garota.
- Um ladrão!!!
- Não boba! Sou eu Míriam. Abre aí!
Ana suspirou aliviada e abriu a janela para ver a outra do lado de fora.
- O que está fazendo aqui? - perguntou franzindo a testa - Pensei que estaria na casa da sua nova amiga.
- Para isso sua besta! - Míriam retrucou irritada - Já lhe disse que nós não somos amigas! Eu estou aqui por que tenho uma confissão à fazer.
- Virei padre agora?
A mãe de Ana entrou no quarto para ver o que estava acontecendo e reparou que a filha conversava com alguém.
- Quem está aí com você?
- É a Míriam mãe...
- Deixa ela entrar então.
- Não precisa, eu vou sair...
Ana saiu do quarto e depois pela porta da cozinha para poder conversar melhor com amiga do lado de fora da casa.
- Fala logo o que você quer.
- Parece que está com raiva de mim, mas quem deveria estar assim sou eu.
- Por qual motivo eu estaria te dando raiva?
- Por que você não me ouve. Sabe que o Miguel não gosta de você de verdade.
- Se ele gosta ou não o problema é meu!
- Tá mas... eu também entro nesta história.
- Você é apenas minha amiga, não deve inteferir no que eu devo ou não fazer da minha vida amorosa.
Míriam abaixou a cabeça tensa e respirou fundo para ter coragem de dizer logo.
- Mas... eu g-osto de você Ana... Sou apaixonada por você.
Mulherrr assim vc me mata do coração
ResponderExcluirKkkkkk essa é a intenção
ExcluirCaraca finalmente coragem, tá parecendo Dragon ball só enrrolando rsrs tá muito bom
ResponderExcluir