31 outubro 2020

As sete chaves do baú - Prólogo

 O reino de Tudez é um reino fictício localizado no sul do continente europeu, isso influenciaria o fato do clima ser menos frio na maior parte do ano. Mesmo com todas as suas posses e um histórico rico de conquistas sua economia entrava em declínio e estava próximo de falir.

Os minérios que dificilmente estavam sendo encontrados em suas terras não eram o suficiente para manter todo o reino sustentado, até seu exército que era um dos mais fortes da região hoje não sobrevivem mais ás guerras. 
O rei já era um homem infeliz desde o falecimento de sua esposa, que lhe deixou apenas uma filha como lembrança de uma vida amorosa, a jovem Rita que se tornou uma princesa super protetora ao pai e responsável por uma grande parte do reino.

Numa manhã ensolarada com algumas nuvens espalhadas pelo céu, Rita sozinha em seu grande quarto penteava seus cabelos, com longas curvas e uma belíssima cor de areia escura. Sua vaidade era admirável e conseguia se tornar a mulher mais bela da região, e enquanto olhava para o espelho refletia em silencio as causas que traziam tanto sofrimento para aquele reino em ruinas.

- Bom dia alteza...

Uma voz estranha ecoou pelo local assustando a princesa que se levantou de uma cadeira para observar quem era, mas pelo espelho em sua frente não era possível ver o espectro da pessoa. Sentiu um frio na barriga e olhou para todos os lados, estava sozinha e pensava estar louca por escutar vozes.

- Tem alguém aqui?

Respirou fundo esperando ouvir alguma resposta e caminhou pelo quarto pensativa. A porta do quarto estava aberta e havia alguém chegando devagar; um ser alto de capuz preto e braços longos, não tocava os pés no chão, uma assombração cabulosa a luz do dia. Rita estremeceu pálida e temia em gritar, tentava se afastar dos passos daquele fantasma que se aproximava cada vez mais.

- Me desculpe entrar sem pedir permissão, alteza...  Me chame de Mistery. Precisava falar com a senhorita sobre algo muito importante.

- O-o que... de onde vo-você veio?

- Isso não importa. 

- O que você quer ? Quem te deixou entrar?

A criatura sobrenatural estava impaciente, não queria perder o tempo com aquelas perguntas e fez um gesto de silencio com a mão pedindo que a princesa se cale.

- Me ouça princesa, existe um baú escondido em algum lugar distante daqui e ele está cheio de moedas de ouro o suficiente para recuperar todo o seu reino. 

- Como assim? Quem te trouxe aqui para me falar isso? É alguma brincadeira comigo?

- Não! É uma missão séria e arriscada, eu fui informado sobre o que está se passando por aqui e decidi ajudar.

- Ajudar? Assim tão fácil? Eu nem o conheço e tampouco sei se é amigo de meu pai. Ninguém aparece do nada para ajudar alguém sem pedir nada em troca.

- Sim você tem razão, e tenho algo sim para pedir. Mas não direi enquanto não realizar a missão, e quero que siga todas as instruções que eu disser. 

Rita assentiu com a cabeça aceitando aquela proposta perigosa, sua curiosidade era grande e sabia que precisava mesmo dessas moedas de ouro para ajudar o pai com as economias do reino. Mistery fez um gesto a chamando para fora do quarto e seguir caminho pelo corredor. Ele podia vagar invisível aos olhos de todos, exceto a princesa que era a única que podia vê-lo, que estava bastante confusa e não sabia das consequências de confiar em uma assombração. Ela respirava fundo, nervosa caminhando com passos curtos pelo castelo saindo de um andar e indo em direção ao jardim do palácio.

26 outubro 2020

É mais que amiga - Último capítulo

 Carol comia um alface sem tempero, suas amigas estavam sentadas em uma mesa distante apenas a observando com pena, faziam dois dias desde que elas começaram a se afastar dela. A garota virou uma piada entre os colegas e tinha deixado de arrumar o cabelo como era acostumada.

Miguel bebia um Toddynho no canto do refeitório sentindo um peso enorme na consciência, muitos riam até, o fato de ter perdido uma menina linda para uma jogada idiota com uma garota sem noção. 

Ana estava lá pegando o segundo prato no balcão, seu cabelo parecia mais sedoso e sua roupa mais ajustada. Alguma coisa mudou drasticamente nela, não foram os julgamentos e zombação alheia que a fizeram cair, ela se ergueu porque estava mais feliz do que nunca. 
Sentou sobre uma das mesas vazias e sorriu para sua companheira do lado. Míriam beijou sua bochecha e voltou a comer do lanche que pegou.
- Daqui a pouco vou ter aula de Geografia, mas não consegui terminar o trabalho que o professor passou semana passada.
- Se quiser posso te ajudar agora antes do intervalo acabar?
- Não precisa, não vai dar tempo. Acho que vou reprovar na matéria.
- Eu não vou deixar uma coisa dessas acontecer! Não é porque não conseguiu antes que não vai fazer agora.

Ana se levantou e a chamou para acompanhar até sua sala, Carol as observava de longe se perguntando do porque escolheram isso. Por que Ana seria diferente dela e não namoraria o garoto que mais gostou na escola? Por que Míriam é tão amiga dela que a desejou mais que isso?
A mesma se levantou em seguida para segui-las à distância, as duas estavam sentadas em duas mesas da sala para escrever o que faltava do trabalho de Geografia. Carol se aproximou da porta para observar, talvez desejasse aprontar uma última coisa com elas.

Míriam suspirou fundo encarando uma página do livro, estava um pouco difícil falar sobre o atrito de placas tectônicas. Ao perceber que estavam sendo vigiadas por alguém olhou em direção à porta e viu Carol se escondendo do outro lado.
- O que você quer aqui?
- Nada... Só estava observando.
- Sei, você anda muito estranha ultimamente. 
- Não estou estranha. Vocês que são estranhas.

Carol saiu de lá as deixando sozinhas, Ana sabia que algo estava acontecendo com a garota e não era apenas sobre o que passavam dentro da escola. Começou a questionar se houvesse crises lhe acontecendo. Ao final da aula Ana comentou com Míriam sobre isso e decidiram passar na casa de Carol para conhecer o lugar, elas nunca foram lá e nem imaginavam como era a casa. 
Se aproximaram do quintal e ficaram perplexas com a imagem que viam, o lugar era sujo e mal cuidado e a fachada da residência estava em ruinas. Míriam olhava de baixo para cima estranhando aquela situação.
- Tem certeza de que aqui é a casa dela? 
- Sim... É nesta localização. 
- Carol não viveria em um lugar desses nem em um universo paralelo.
- Pois é... Mas vamos ver primeiro para ter certeza.

Ana bateu na porta da casa e esperou alguns minutos para alguém abrir a porta. Um homem barbudo e barrigudo esquisito as receberam com um olhar serio e desprezível, parecia que não estava nem um pouco gostando da presença delas.
- Quem são vocês e o que fazem aqui?
- A Carol mora aqui?
- Sim, vocês são colegas dela? O que aconteceu com ela? Onde ela está?
- É o que queremos saber. O senhor é pai dela?
- Padrasto, querem alguma coisa aqui?
- Não, podemos voltar mais tarde...

Se afastaram da casa entreolhando uma a outra, pensavam a mesma coisa e tinham uma ideia em mente. Quando encontraram Carol na calçada caminhando em direção a sua casa notaram que estava cabisbaixa e parecia triste com algo. Míriam a parou pegando em seu braço deixando a garota assustada e irritada.
- Ei me solta sua louca! 
- Primeiro me fala, o que houve com você?
- Que? Como assim? Eu quem pergunto o que houve com vocês.
- Vimos que você tem um padrasto e sua casa é horrível. Nos diga sinceramente... Você já... foi tocada por ele?

Carol estremeceu e desprendeu seu braço das mãos de Míriam. Ana notou sua inquietação, de fato tinha algo errado com ela e não queria dizer á ninguém.
- Vocês... não deveriam tomar conta da vida dos outros.
- Embora não acredite, nos importamos com você.
- Por que? Nunca fui boa com vocês...
- Diga Carol, você foi ou não tocada por ele?

Ela não precisava responder, seus olhos começaram a lacrimejar e suas mãos tremerem. Era um medo notável, estava desejando correr das garotas e se esconder em algum lugar distante para não mostrar esse lado covarde dela. Queria parecer valente, melhor e mais forte que elas, mas sua mascara já estava caindo e revelava uma menina indefesa precisando de ajuda. Ana olhou em seus olhos úmidos e a abraçou sem hesitar antes que Carol pudesse impedir.
- Está tudo bem, não se preocupe vamos fazer alguma coisa para se livrar daquele homem. Se quiser pode ficar um pouco na minha casa hoje, minha mãe não vai se importar.
- Ma-as... porque... porque querem me ajudar?
- Porque estamos te dando uma nova chance. Nunca a odiamos, você é como nós, ninguém é melhor que ninguém neste mundo.
- Obrigada... e.. me desculpa...

...

07 outubro 2020

É mais que amiga - Capítulo Vinte e quatro

 Ana temia em concordar, mas isso a tornaria uma covarde. Mentir para si mesma não lhe traria felicidade alguma. 

- Sim... eu acho que quero ficar com você.
- Acha?
- Eu não sei... você é minha amiga, única até. Nunca fui desejada por alguém assim, ninguém gostou de mim como você gosta.

Míriam sorriu de lado e abraçou Ana a deixando corada mais uma vez, parece que ainda não se acostumou com as manifestações de carinho dela.
- Você já quer voltar para casa?
- Não... não sei. Acho que podemos ficar mais um pouco.
- Hum, e que tal dar uma passada na minha casa antes de você ir?
- Na s-sua casa?
- Sim...

Ana assentiu pensativa e caminhou com a amiga pela praça dando algumas últimas voltas. Sem nada de muito interessante para fazer ali, seguiram rumo à casa de Míriam, eram 21:00 horas. Ao entrarem viram um silêncio saudoso percorrer pela casa, a avó de Míriam já estaria dormindo agora e seu irmão provavelmente no mesmo.
- Ainda não te mostrei meu quarto, mas você já havia me mostrado o seu.
- Verdade. Imagino que o seu seja mais organizado.
- Não, não é rsrs.

Ana a seguia pelo corredor e se aproximaram da porta para abri-la. Míriam lhe apresentou aquele cômodo escuro, as paredes pintadas de roxo e uma cama bagunçada no canto.
- Aqui é meu lugar de refúgio. Onde posso me afastar das pessoas e viver meus sonhos.
- Seus sonhos? Quais são eles?
- Fecha os olhos e veja.

A garota ficou curiosa e ao mesmo tempo com um certo pressentimento. _O que seria esse sonho? Por que tenho que fechar os olhos para ver? O que Míriam está querendo fazer?_
- Você sente medo de mim?
- N-não... É que... não sei o que quero ainda.
- Melhor te levar de volta para casa então, antes que sua mãe venha te procurar.

Ana abriu os olhos e viu estranhamente que a amiga estava ajeitando a camisa. Suspirou fundo e cerrou os punhos nervosa.
- Ela pode esperar um pouco. Eu não quero ir agora.
- Mas... sério?
- S-sim.
- Por que você muda de ideia tão de repente?

Míriam riu e fechou a porta do quarto observando Ana trêmula, suas bochechas pareciam pimentões de tão vermelhas.
- Míriam tem uma coisa que... eu preciso dizer...
- Diga.
- Eu... eu... eu te amo.

Aquela frase fez em seu rosto surgir um sorriso largo, seu coração estava mais pulsante agora e seguro de seus sentimentos. Ana se aproximou de Míriam olhando para ela não mais como apenas aquela amiga que conheceu meses atrás, mas como uma garota como ela que ainda estava tentando descobrir o mundo à sua volta.
Nada do que ouviram falar sobre esses preconceitos caluniosos faziam importância agora, tudo o que valia era o amor, era ele o importante de tudo.

Míriam levava suas mãos ao rosto de Ana lhe acariciando suavemente e aproximavam os rostos para um beijo intenso e sem pressa. Mesmo que a noite seja curta para elas, deveriam aproveitar ao mínimo um último minuto. Até sentirem que as mãos alheias tocassem suas costas e levantassem o tecido da roupa para finalmente serem removidos de seus corpos.

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