07 outubro 2020

É mais que amiga - Capítulo Vinte e quatro

 Ana temia em concordar, mas isso a tornaria uma covarde. Mentir para si mesma não lhe traria felicidade alguma. 

- Sim... eu acho que quero ficar com você.
- Acha?
- Eu não sei... você é minha amiga, única até. Nunca fui desejada por alguém assim, ninguém gostou de mim como você gosta.

Míriam sorriu de lado e abraçou Ana a deixando corada mais uma vez, parece que ainda não se acostumou com as manifestações de carinho dela.
- Você já quer voltar para casa?
- Não... não sei. Acho que podemos ficar mais um pouco.
- Hum, e que tal dar uma passada na minha casa antes de você ir?
- Na s-sua casa?
- Sim...

Ana assentiu pensativa e caminhou com a amiga pela praça dando algumas últimas voltas. Sem nada de muito interessante para fazer ali, seguiram rumo à casa de Míriam, eram 21:00 horas. Ao entrarem viram um silêncio saudoso percorrer pela casa, a avó de Míriam já estaria dormindo agora e seu irmão provavelmente no mesmo.
- Ainda não te mostrei meu quarto, mas você já havia me mostrado o seu.
- Verdade. Imagino que o seu seja mais organizado.
- Não, não é rsrs.

Ana a seguia pelo corredor e se aproximaram da porta para abri-la. Míriam lhe apresentou aquele cômodo escuro, as paredes pintadas de roxo e uma cama bagunçada no canto.
- Aqui é meu lugar de refúgio. Onde posso me afastar das pessoas e viver meus sonhos.
- Seus sonhos? Quais são eles?
- Fecha os olhos e veja.

A garota ficou curiosa e ao mesmo tempo com um certo pressentimento. _O que seria esse sonho? Por que tenho que fechar os olhos para ver? O que Míriam está querendo fazer?_
- Você sente medo de mim?
- N-não... É que... não sei o que quero ainda.
- Melhor te levar de volta para casa então, antes que sua mãe venha te procurar.

Ana abriu os olhos e viu estranhamente que a amiga estava ajeitando a camisa. Suspirou fundo e cerrou os punhos nervosa.
- Ela pode esperar um pouco. Eu não quero ir agora.
- Mas... sério?
- S-sim.
- Por que você muda de ideia tão de repente?

Míriam riu e fechou a porta do quarto observando Ana trêmula, suas bochechas pareciam pimentões de tão vermelhas.
- Míriam tem uma coisa que... eu preciso dizer...
- Diga.
- Eu... eu... eu te amo.

Aquela frase fez em seu rosto surgir um sorriso largo, seu coração estava mais pulsante agora e seguro de seus sentimentos. Ana se aproximou de Míriam olhando para ela não mais como apenas aquela amiga que conheceu meses atrás, mas como uma garota como ela que ainda estava tentando descobrir o mundo à sua volta.
Nada do que ouviram falar sobre esses preconceitos caluniosos faziam importância agora, tudo o que valia era o amor, era ele o importante de tudo.

Míriam levava suas mãos ao rosto de Ana lhe acariciando suavemente e aproximavam os rostos para um beijo intenso e sem pressa. Mesmo que a noite seja curta para elas, deveriam aproveitar ao mínimo um último minuto. Até sentirem que as mãos alheias tocassem suas costas e levantassem o tecido da roupa para finalmente serem removidos de seus corpos.

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