Hasta el final del mes...
Acho um tempo muito curto para arranjar tanto dinheiro assim.
Meus olhos passeavam pelas paredes da enorme mansão da família. Uma cor púrpura em um tom bem escuro e chamativo, com móveis decorados por toda a sala. Uma empregada desce da escada ajudando María com as malas pesadas. A garota não estava mais com aquele vestido branco de seda, agora usava um casaco vermelho e uma saia aparentemente azul escura.
- Quero abaixar o preço. - digo deslizando meu olhar para seu pai que se aproximava de mim com a careta de sempre - É muita coisa para mim.
- Mil euros. - ele responde endireitando a coluna - E não se fala mais nisso.
Assinto suspirando de alívio e sou surpreendido com o toque da mão de María em meu braço. Ela me olhava com uma certa admiração.
- Você é real?
- Sim, eu sou... - respondo sorrindo e vejo o homem ao meu lado se afastar tenso.
- Para onde vai me levar? - ela franze a testa confusa.
- Para minha cidade, em Ronda. Você vai gostar de lá.
- Lá tem cachorrinhos? - María pergunta com uma agitação na voz.
- Sim, por quê?
- Queria um... nunca pude ter... - ela encara o pai com os olhos sérios.
- Tudo bem, posso encontrar um para você. - rio assentindo com a cabeça.
Após colocar as malas no veículo, María se aproxima do pai para dar um último abraço. Ele tenta recuar mas é pego de surpresa. Embora o homem tenha sido muito autoritário com a filha, ela não deixaria de amá-lo.
Pedro nos esperava dentro do carro, apertou a buzina cinco vezes para nos apressar. Aquilo me deixava um pouco irritado mas nada retirava o sorriso estampado em meu rosto.
- Ao final deste mês! Não se esqueça. - meu novo sogro avisou antes de entrarmos no carro.
Apenas concordei com a cabeça e seguimos rumo à avenida da cidade.
María olhava para a janela observando a paisagem enquanto eu aproximava meus dedos dos seus devagar.
- Não acredito nisso... Parece que ainda estou dormindo. - ela diz voltando seu olhar para o meu - Até ontem mesmo eu estava trancada em meu quarto chorando pensando em como escapar de tudo.
- É... e olha onde você está... - sorrio buscando uma forma de alegrá-la - ... indo à caminho da cidade mais formosa da Espanha.
- É mesmo? - ela arqueia a sobrancelha rindo - Ouvi dizer que é Barcelona.
- Ah... cada um tem o seu gosto né! - dou de ombros me encolhendo no banco.
Os olhos de Pedro se encontram com os meus pelo espelho da frente e ele dá um piscadela para mim indicando algo. Demoro compreender o sua intenção e mordo meus lábios ao saber do que se trata, mas não queria deixá-lo de vela. Deslizo meu olhar para María ao meu lado e suspiro um pouco tenso.
- Você é muito linda. - as palavras saem de minha boca trêmulas.
- Obrigada. Você é muito elegante. - noto suas bochechas corarem.
- Você já... beijou alguém? - pergunto como se fosse algo importante para ser discutido.
- Já. - ela responde olhando para baixo - Por quê?
- Por nada... - balanço minha cabeça envergonhado.
Ao menos eu sabia que a garota tenha se envolvido com outro alguém, mas eu não compreendia como isso seria possível se seu pai a isolava do mundo.
- Como foi? - pergunto voltando a olhar em seus olhos.
- Bem... nada tão romântico. Mas, prefiro guardar os rancores dentro de meu peito. - ela responde sorrindo para mim encostando sua cabeça em meu ombro.
Minhas mãos deslizam por seus cabelos e inclino seu rosto para o meu.
- Suas letras são lindas. - digo fitando nossos olhares.
Ela concorda com uma leve risada e deixo meus lábios se aproximarem dos seus. Um beijo é roubado suavemente enquanto saímos da belíssima cidade.
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