29 julho 2020

La doña de la carta - quarto capítulo

   Após três dias, o carteiro apareceu novamente em minha porta me entregando um envelope decorado com um laço rosa. Agradeci e entreguei o pagamento.Peguei um copo com água e sentei-me em meu confortável sofá. Desamarrei o laço e abri a correspondência. Me hidratei um pouco antes de começar a ler, tremendo de ansiedade.

"Hola. Estoy presa en mi casa, mi padre me castigó y no puedo hacer nada. Quiero mucho poder confiar en tú.
María Lina..."

   Senti como se uma pedra estivesse a ponto de cair sobre minha cabeça. Minha respiração ficou intensa e encarei a parede cor de marfin.
   Ella necesita de mí...
   Como vou confiar numa carta que não sei a prova de quem realmente a escreveu?
   Deixei ela sobre a estante da sala e saí para trabalhar. Aquilo era como um fantasma que me assombrava onde quer que eu esteja. Não contei a ninguém sobre ela, é um sigilo meu.
   Após sair do trabalho, caminhei sobre as velhas estradas de Ronda para me tranquilizar um pouco. Sentir a brisa do outono foi um dos melhores prestígios daquele momento.
   Ao retornar para casa, peguei um caderno de anotações e uma caneta. Preparei um chá da tarde e sentei-me na mesa da cozinha, logo comecei a escrever perguntas aleatórias... Eu estava cada vez mais irritado. Rasgava folhas, outras vezes amassava. Não sabia ao certo o que dizer...
   Olhei para a janela e vi os galhos das árvores movimentarem ao vento. Uma onda de alívio tomou meu corpo e encarei novamente a caneta.
Quando terminei, fiz questão de ler minhas próprias palavras para ter certeza de que nada seria mal compreendido.

   "Mi nombre es Murillo Damasco, tengo veinte e dos años. Yo vivo sólo en mi casa, no tengo nadie que puedo ayudar usted... Y vivimos distante. Necesito saber más sobre tú. Me diga todo lo ocurrido."

   Esperei a chegada do carteiro novamente e entreguei o envelope. Senti um frio na barriga e me agitei na esperança de poder ver onde isso ia dar...


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