Meu chá doce... como eu gosto... bebo ligeiramente e ainda repito a dose. Saio para trabalhar em um armazém aqui da vila, uma venda de móveis e decorações para casas.
Meu patrão é um moreno barbudo, a mercadoria é dele e a cada item que eu conseguir vender recebo 20 euros.
A maioria dos fregueses passam apenas para observar, outros conversam comigo enquanto os atendo. O trabalho me distrai para que eu possa esquecer as coisas... Ou talvez tente.
Uma senhora com um vestido vermelho e florido me perguntou o preço de um lustre e pediu para que eu anotasse o nome dela no boleto de pagamento.
- María Hernandez... - ela sorriu
María... María...
Este nome me lembrou algo, e quase atrevi a perguntar para ela sobre a carta. Mas não... seu sobrenome era outro.
- Obrigado senhora. - entreguei-lhe um comprovante.
Ao entardecer, procurei pelo mapa da província de Málaga o endereço da carta... Um município chamado Nerja um pouco distante daqui.
Pienso en escribir una carta para ella e descubrir la verdad...
Mas não a conheço, nem sabereis sua atitude. É estranho que ela revele sua condição para o mundo afora, onde o rumo e a direção que levara o balão era incerto.
Peguei uma caneta e um papel amassado, e escrevi com poucas palavras uma resposta para aquela mulher desconhecida...
"Hola, no sé que te pasas. Pero se tener algo que puedo ayudar...
Lote 23, - Ronda - Málaga - ES."
Guardei seu bilhete dentro de um envelope e colei à minha carta. A flor deixei em minha mesa...
O carteiro passou por minha porta e entreguei a correspondência.
- Por favor, quero que isto chegue até Nerja.
- Tudo bem, pode deixar... - ele acenou com seu boné e voltou a pedalar.
Senti um minúsculo pavor, e me deitei sobre a cama macia...
Necesito de un bueno cochilo.
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