Meu patrão me deu quarto dias para que eu pudesse viajar. Eu já estava ancioso para conhecer a moça das cartas. Preparei minha mala e deixei tudo organizado. Olhei para mim no espelho e não vi mais aquele jovem triste e melancólico, havia um sorriso de esperança que renascia nele.
Passei novamente pelo armazém para trabalhar um pouco mais apressado. Eu fazia até parte das atividades que eram até então do meu patrão. Os clientes não paravam de entrar, o que por um lado era bom. Minha camiseta azul escuro estava imunda de pó devido aos pacotes que carregava de um lado para o outro.
Ao terminar meu serviço, um pouco antes de sair do armazém, Larissa apareceu com uma blusa branca e uma saia florida. Estava tão linda mas também muito triste. Seus olhos lacrimejavam e seus cabelos estavam bagunçados.
- Murillo... - ela disse suspirando. - Podemos conversar?
- Sobre o quê? - arqueio minha sombracelha intrigado.
- Sobre nós. - seu olhos brilhavam úmidos. - Eu errei... Eu sei que fui péssima...
- Pare por favor! - a interrompo - Eu não quero saber dos seus lamentos. O que aconteceu passou, isso não vai se apagar no tempo.
- Murillo... eu...
- Por favor Larissa! Já chega! Você não está feliz com seu novo namorado? - pergunto entre dentes.
- Nós terminamos... E... eu ainda te amo! - ela diz enxugando as lágrimas.
- Me ama? - digo irritado - Como pode me amar depois de trair? - paro tentando me acalmar.
Larissa me encara séria e sai do armazém. Passo a mão pelo rosto tenso e vejo meu patrão se aproximar sorrindo.
- Não fique assim garoto! A vida ainda vai te recompensar. - ele bate no meu ombro e se afasta em seguida.
Volto para casa confuso e me sento na cama. Olho para um retrato de meus pais no criado mudo e pego. Acaricio o rosto de minha mãe e deixo uma lágrima cair sobre o vidro. Lembrei do dia em que fui informado por alguns amigos sobre o acidente que meus pais haviam sofrido na viagem para a França.
Deixo o retrato no lugar e aguardo aquele dia ruim passar.
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