María Lina
Minhas mãos estavam grudadas fazendo um gesto de oração e meus joelhos tocavam no chão duro e liso. Meu vestido branco e bordado me deixavam bela, meus cabelos presos em um coque também me dava um ar de elegância.
Pero no estoy bien, ni feliz...
Ouço as baladas do sino e ergo meus olhos à imagem da santa sobre a parede. Seguro minhas lágrimas para não borrar a leve maquiagem que fizeram em mim.
- Murillo... você existe? - pergunto em um sussurro abaixo a cabeça em seguida.
- María! Seu noivo chegou! - Ana, minha tia de 50 anos de idade se aproxima de mim com um sorriso encantador.
Eu queria fingir que estava tudo bem, mas não dava para mentir. Meu olhar mostrada aflição e Ana notou pegando em meu ombro.
- Se levante garota. Hoje é um dia que toda dama sonhou em viver.
- Eu não amo aquele velho! - exclamo com o rosto úmido me levantando do chão segurando na barra do vestido.
- Mas ele vai lhe trazer um futuro próspero! Será digna de uma grande fortuna.
Aquele olhar sádico dela me enojava. Não esperava ouvir tanta besteira da boca de uma pessoa que muito confiava.
- Eu não vou ceder a este casamento! - digo entre dentes correndo para uma porta que me levava para um corredor largo.
As batidas do meu coração aceleravam com os passos rápidos. Eu pensei que estava livre até ver meu pai me pegar pelo braço com uma força brutal e me levar para fora da igreja. Seus olhos azuis escuros me encaravam com uma raiva nítida.
- Você não ousa me desafiar! Sou seu pai e mando em ti! - sua voz me dava medo e meus olhos marejavam. - Vamos! Já está na hora! - ele me puxava de volta para dentro da igreja pela porta da frente.
Meus olhos deslizaram para os convidados surpresos. Não sabiam se estavam encantados com meu vestido ou assustados com meu rosto borrado. Agora eu parecia uma noiva prestes a desmanchar.
Meu pai me guiava pelo tapete de seda com seus passos fortes. Eu só conseguia encarar os convidados mostrando à eles o quanto estava infeliz. Até que meus olhos se encontraram com os de um rapaz pálido. Seus cabelos castanhos escuros estavam bem penteados e sua roupa estranhamente diferente das usadas por homens da região.
!Es él! Yo siento eso...
Se fosse mesmo Murillo, seria capaz de me retirar deste lugar cruel e me levar para bem longe?
Vejo próximo ao altar um homem barbudo e enrugado me esperando com um sorriso no rosto. Abaixo minha cabeça para não encarar a imagem do meu noivo ridículo.
- Senhoras e senhores! - o padre exclamava para todos. - É com grande alegria que hoje celebramos esta bela união. Hoje o céu canta de alegria com esta data especial.
Engulo as palavras ditas pelo padre como uma pedra descendo por minha garganta e viro meu olhar novamente para o rapaz assustado.
Eu estava tão concentrada nele que mal ouvia as palavras do homem de batina.
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