29 julho 2020

La doña de la carta - nono capítulo

   Depois de um banho relaxante visto minha melhor camisa, vermelha escura e uma calça preta. Penteio meu cabelo e passo um leve perfume.
   ¿Más para qué todo eso? Es sólo una viaje.
   Rio para mim mesmo e pego minha mala do chão. Caminho apressado até a porta da sala, abro e saio trancando a casa. Coloco minha mala no carro do táxi que me aguardava na rua ao lado.
   Ao me sentar no banco de trás, procuro no bolso da calça uma carta de María e a mostro para o taxista indicando o endereço. Ele assente e começa a dirigir.
   Eu tentava manter minha empolgação discreta. Olhava para as ruas sorrindo, admirando o sol daquela bela manhã. A movimentação da cidade estava maior naquele dia e por muita coincidência eu saía dela naquele exato momento. Muitas pessoas andavam na avenida, carros circulavam todas as ruas. Me ajeitei no banco e encostei minha cabeça nele. Fechei os olhos um pouco para poder imaginar o rosto de María Lina.
   Após quatro horas de viagem, paramos em um hotel para passar o dia. Aproveitei para escrever uma carta avisando à ela que logo chegaria... Caminhei até um correio próximo e deixei a correspondência.
   Acordamos bem cedo no dia seguinte e tomei um rápido café da manhã. O taxista ficou muito tempo dirigindo, às vezes paravamos para comer ou apreciar a paisagem das belas cidades por onde passamos. O homem se chamava Pedro, criamos até uma amizade rápida durante a viagem.
   O céu escurecia com o entardecer e a chuva veio logo em seguida atrapalhando nossa vista na estrada. Os pneus escorregavam levemente no chão molhado e eu ficava cada vez mais apreensivo. A noite chegou e as nuvens se espalham no céu dando vista às estrelas mostrando um horizonte belo, onde a cidade destino se erguia conforme avançamos.
   Entramos no centro da bela cidade cheia de construções antigas e monumentos exuberantes. Observo pela janela do carro admirado com tamanha beleza. Passamos em uma rua da periferia e seguimos para uma avenida torta onde situava um outro hotel em que pousaremos.
   Pedro estacionou o carro e desci logo em seguida. Meu corpo se agitava de emoção e ansiedade. Eu não conseguia pensar em mais nada além da bela jovem das cartas.
   ¿Pero es realmente hermosa?
  Este pensamento me fazia rir e balanço a cabeça afastando essa hipótese. Passei a noite caminhando pelas ruas de Nerja, os comércios fechavam tarde da noite, havia muita agitação na praça e pessoas andando de um lado para o outro apressadas.
   Meus olhos procuravam por María por todos os cantos, mas só depois me lembrei que ela não estaria aqui, seu pai a trancou dentro de casa. Mas o que eu poderia fazer para ve-la?
  Tal vez alguien a conoces.!Sí! Es posible!
   Sorrio com esta ideia e sigo para uma loja de cosméticos que estava perto de fechar. Uma mulher de cabelos grisalhos com rugas pelo rosto me recebeu sorrindo.

- Olá! Como posso ajudar?

- Oi... eu... estou procurando por uma moça chamada María Lina. A senhora a conhece? - pergunto olhando em seus olhos sentindo algum tipo de esperança.

- Ah sim, claro que a conheço. Ela vai se casar amanhã cedo e viajar com o noivo para Madri. - ela me responde com um largo sorriso. - Por que deseja saber dela?

   Meu coração pulsa mais forte com um sentimento duro e triste, meu olhar se torna pálido e me afasto um pouco da mulher.

- E... onde será o casamento? - minha voz vacila trêmula.

- Vai acontecer na capela aqui da praça! - ela aponta com o dedo para a bela construção rodeada de postes luminosos.

- E que horas? - volto meu olhar para ela tenso.

- Vai ser a partir das 9. - ela nota um pavor em meus olhos e saio da loja em seguida.

  Caminho de volta para o hotel apressado passando as mãos pelo cabelo. Meu dia estava acabando ali, mas eu possuía apenas algumas poucas horas antes do triste acontecimento.


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