A professora de Ana explicava alguns conceitos de física mostrando alguns experimentos para a classe. Sussurros eram vindos do fundo da sala enquanto Ana tentava se concentrar no conteúdo. Ao ouvir seu nome seu olhar empalidece e vira para trás vendo os rostos dos colegas se combrirem de risos.
- Coitada da menina, Miguel. - um garoto dá um tapinha na cabeça dele o fazendo corar de vergonha.
- Me deixe em paz mano. - Miguel afasta ao toque do amigo.
Ana se sentia incomodada com aquilo e juntou suas coisas as guardando na mochila. Saiu da sala em silêncio de cabeça baixa caminhando pelo corredor com passos lentos.
Ela havia ligado para seu pai se encontrar com ela no portão do colégio. Seu anseio em voltar para a casa era enorme. Enquanto esperava por isso batia seus pés na terra do pátio deixando seu ódio esvaziar aos poucos.
- O que aconteceu? - seu pai perguntou ao volante dirigindo atenciosamente pela avenida.
- Nada... - Ana sussurrou olhando pela janela do carro.
- Por que você não quer falar? Fez alguma coisa errada, não foi? - ele franze a testa olhando para a filha.
- Meus colegas pai... Odeio eles! - ela responde fechando os punhos por debaixo da mochila em seu colo.
- Quando chegarmos em casa vamos conversar melhor sobre isso. E sua mãe vai ficar louca se souber que fugiu da aula. - ele diz num tom sério girando o volante para a esquerda.
Ana apenas se encolhe no banco dando um leve suspiro de tensão. Aquilo quase sempre lhe ocorria, desde o ensino fundamental. O fato de ser uma garota tímida e de poucas palavras a fizeram dela um alvo fácil de chacotas dentro da sala. Ela também não sabia como lidar com seus sentimentos, todos os garotos pelos quais se apaixonou de alguma maneira a faziam se sentir inútil.
Chegou em casa jogando sua mochila no sofá da sala e caminhou até os braços abertos da mãe.
- O que foi Ana? - Vânia sussurrou no ouvido da filha.
- Quero mudar de escola! Essa não foi o primeira vez que pedi isso! - Ana responde olhando em seus olhos deixando um gota de lágrima cair.
- Eu já te falei. Não podemos te matricular em outra por agora. Seu pai não poderá ficar te levando para longe todos os dias e a escola mais próxima que temos é essa. Você tem que se conformar por enquanto. - Vânia responde passando as mãos pelo cabelo da garota.
- Até eu terminar o ensino médio?! - Ana bufa se afastando do abraço. - Assim não adianta!
Ela pega sua mochila do sofá e caminha até o quarto fechando a porta com força. Seu rosto se desmancha de puro desgosto.
Vânia olha para os olhos tortos do marido e balança a cabeça tensa.
- Se as coisas piorarem, precisamos dar um jeito!
O homem concorda com sua esposa e se afasta na direção da porta.
Tenho pena dela ela n merece isso 🥺
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